reminiscências de um passado recente
resolvi postar mais este porque achei interessante uma coisa.
por acaso passei os olhos pelo meu post de 14 de setembro de 2004 e para meu espanto aquela primeira parte podia-se aplicar aos dias de hoje. parece um dejá vu. é impressionante como não aprendemos com os erros que damos.
passado quase um ano e dois governos continuamos na mesma.
infidelidade violenta
tenho visto alguns programas do fiel ou infiel, já que a minha mulher é uma cliente assídua da TVI e também porque o computador fica ao pé da televisão e como tal resolvi passar para aqui o que penso sobre o assunto.
realmente acho que é difícil descer tão baixo.
lembra-me o filme do spartacus que deu no outro dia em que os cidadãos romanos iam ao coliseu ver os gladiadores lutar até à morte e tiravam um prazer doentio nisso.
assistimos no programa da TVI a algo parecido.
temos a "vítima" que vai durante o programa sendo enxovalhada a torto e a direito sem o mínimo respeito pelos sentimentos da pessoa, mas que ao fim ao cabo pediu para lá estar.
temos o "prevaricador" que de repente se encontra numa situação em que acho que qualquer homem sonha um dia acontecer mas que nunca acontece - encontrar-se com uma mulher pôdre de boa, sem ninguém saber e sem possibilidades de alguém vir a saber um dia, num ambiente paradisíaco e que ainda por cima lança-se de imediato ao ataque oferecendo um corpo escultural sem haver a mínima dúvida sobre o que ela quer.
perante este quadro já se sabe o que vai acontecer.
chega a fase do "cara a cara" e assistimos então na maior e com sorrisos desmedidos às cenas de "violência doméstica".
essa violência que em outras instâncias tem um ar tão sério e que obrigou a que fosse passado de crime semi-público para crime público, segundo o código penal vigente.
só por aqui já se vê a hipocrisia do mundo em que vivemos.
para finalizar chamam ainda o(a) sedutor(a), que para meu espanto, ainda vem com ar "angélico" a querer dar lições de moral ao casal e a insurgir-se ainda contra os participantes. um deles ainda ficou muito ofendido porque lhe chamaram "filho da puta". realmente tinha razão porque a "puta" era ele e não a mãe que não tinha culpa nenhuma (não sei!).
vem então a produção defender o(a) sedutor(a) dizendo que eles estão a representar o seu papel, que são excelentes profissionais e que não são "meninas de programa". cá para mim acho que quem vende o corpo por dinheiro é prostituto(a), seja na televisão, em casa ou na rua.
enfim, um verdadeiro "show" que tem a virtude de mostrar a outra face desta sociedade cheia de moral e bons costumes e que fica escandalizada quando ouve falar em aborto, legalização de drogas e muitos outros assuntos que fazem de imediato levantar em cada português, daqueles que vemos a assistirem ao programa no estúdio e que ao fim ao cabo representam uma parte da população, uma capa de pessoa de "bem".
não pretendo com isto "malhar" mais na auto estima do povo português, até porque essa onda já satura, no entanto fica a constatação do facto com a esperança de que identificados os "erros" e os "problemas" se possa avançar para uma sociedade em que estas coisas até possam existir, para quem goste, mas que pelo menos, não venham negar outras em nome da moral e bons costumes.